Sozinha. Pela décima terceira vez, desilusão. Estava a três passos da paz eterna, quando se deu conta do engano que estava por fazer. Afastou-se. Olhou mais uma vez para o céu e chorou. Chorou como nunca havia chorado. Embaixo do céu mais negro, na noite mais fria e triste, enlouqueceu.
A vida já andava dificil. Sentia-se morta, estagnada e cansada. Naquela noite, a cidade parecia morta. Qualquer música era transformada em barulho. Todo o caos, o medo, a fúria, transformaram-se em calmaria. O mundo tinha parado para ela sentir a dor, sozinha.
Andou pelas ruas como se fosse a dona do mundo. A brisa gelada, corava seu rosto branco enquanto ela olhava fixamente para o nada. Sofria calada. Naquela rua, só haviam lembranças tristes. Recusou-se a sofrer pelo passado - já havia sofrido demais, estava cansada. Passou por ali como se fosse uma lembrança qualquer.
Chegou, então, ao seu destino. Um lugar antigo com prédios por todo lado. A ansiedade era esmagadora: retorcia e esmagava o pobre coração. O peito disparou. Ela conseguia ouvir seus próprios batimentos. A saliva secava em sua boca, conforme os passos iam diminuindo. Os olhos, fechados, evitando enfrentar o que estava por vir. Silêncio.
Os carros passavam na avenida ao lado. Pessoas circulavam, mas ela só ouvia os batimentos acelerados. Topou-se com a mureta. Relaxou os braços e fechou os olhos. Respirou fundo, inclinando a cabeça para trás, sentiu uma leve tontura prazerosa. Naquele momento, o mundo ficou paralisado. De norte a sul, ouvia-se apenas uma respiração: a dela. Estava pronta.
Ergueu uma das pernas, passou-a por cima da mureta - fez o mesmo com a outra. Olhou a cidade em branco-e-preto, as luzes e os movimentos congelados. Fechou novamente os olhos. Estava a menos de três passos da paz eterna, agora, seu coração pedia liberdade. Deu-se conta do que ia fazer e achou graça. Por um momento, pareceu ser um sorriso em seus lábios.
A cidade voltou ao seu natural. Movimento, luz e gente. Nesse meio caótico, nessa cidade estressante... Deu-se fim.
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