Situado ao nordeste da África, o Egito, ao norte, é cercado pelo mar Mediterrâneo, ao sul pelas cataratas do rio Nilo na Núbia (Sudão), a oeste pelo deserto da Líbia e ao leste faz fronteira com o Mar Vermelho.
Estava tudo como devia estar; o calor insuportável era amenizado pela brisa úmida que chegava do Nilo. Nada mais importava para o jovem faraó que acabara de receber a noticia da morte de seus pais.
Mas ele tinha sido nomeado faraó. Todas as mulheres do Egito o desejavam, os inimigos o temiam e os súditos o admiravam.
De qualquer forma, a vida não havia de parar por causa da morte dos pais. Seu olhar estava perdido nos camponeses trabalhando.
- Será a maior pirâmide! – pensou o soberano.
A noite caiu na região onde hoje, é localizado o Cairo. As festividades de tributo a Anúbis tinham chegado... E Abayomi olhava para o horizonte.
- Senhor? – perguntou um servo.
- Eu já vou...
- Mas, senhor...?
- Vou precisar repetir? – Abayomi disse com um ar intolerante.
- Me perdoe. – e saiu.
Nesse momento, Maharet, uma sacerdotisa – a mesma que Abayomi morria de amores – adentrou a sala do faraó, já com sua roupa de cerimônia.
- Meu rei...
- Maharet? O quê...
- Minhas condolências! – e se curvou diante a ele.
- Quanta formalidade! – disse ele com um ar irônico – Não precisa tanto... Você, não!
- Fui criada e educada para nunca estar com a cabeça acima do faraó... Você é o meu Sol! O Sol do Egito... E todos os seus súditos estão voltados a você! – ainda curvada.
- Eu sempre estive e sempre vou estar aos seus pés... – Abayomi disse, com o olhar deslizando o corpo formoso e a pele escura de Maharet.
Nesse momento, ela ficou totalmente ereta, olhou nos olhos de Abayomi e disse:
- Pensamento tolo... Para um faraó. – curvou-se novamente e saiu da sala.
Naquele momento, Abayomi desejou não ter nascido faraó, pois via todo o seu futuro destinado ao Egito e a sua glória como faraó. Esqueceu-se por um instante de tudo que era dor e preocupação. Sua concentração estava voltada, agora, para uma medalha de ouro que Maharet havia dado a ele em sua adolescência. Abayomi sentiu saudades do tempo que era só um membro da família do faraó.
- Vamos senhor!
- Claro, estou pronto! – colocou sua coroa e se dirigiu a festa.
A comida estava maravilhosa, a música tinha um arranjo perfeito... Mas ele não achava uma pessoa. Eis que as sacerdotisas entram no salão, com oferendas (ouro, jóias, flores, comidas, etc.) e dançando. O olhar do faraó parecia devorar Maharet... Os cabelos compridos e negros, os olhos castanhos, a boca macia e vermelha de batom, o corpo tinha uma simetria perfeita com a música de batidas fortes e marcantes, tal como seu quadril acompanhava perfeitamente o ritmo...
A festa acabou, foi tudo perfeito! Mas Abayomi não conseguia tirar Maharet de seus pensamentos... Ele ordenou a um servo para chamar Maharet.
- Mandou me chamar, majestade?
- Mandei...
Então Abayomi começou a se declarar para Maharet, falou das estrelas, da lua e do Sol... Por fim, acabaram se beijando. Eles passaram a noite juntos, mesmo contra a vontade dos pais, dos conselheiros e de todos os familiares.
Na manhã seguinte, uma noticia horrenda havia se espalhado pelos ventos do Egito: um assassinato havia acontecido na noite passada. O assassino usou o mesmo método para matar os pais de Abayomi.
- Mas quem morreu? – perguntou uma camponesa.
- Não sei... Acabei de chegar à cidade. Viajei a noite inteira... – respondeu uma jovem moça de longos cabelos negros.
Já no Cairo, um escriba registra em seu papiro: “Hoje, o Sol de pôs ao nascer do dia. Perdemos o brilho de um jovem faraó”.
(Mariana R.G.)
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