quarta-feira, 28 de abril de 2010

A casa velha

Ela já não aguentava mais olhar para aquilo. Sentia-se pobre pelo o que via, mas não de espirito. Acontecia. Passavam-se onze anos e nada mudara de lá até agora.
Não haviam mais cadeiras, pois quebraram-se com o tempo - superior ao tempo de morada na casa. O teto estava desabando aos poucos. Durante a noite era possível escutar os roídos do teto esfarelando-se. O chuveiro andava frio e a porta acabara de desabar.
Aquela casa, cheia de lembranças, desmorona-se como as esperanças da matriarca que espera um milagre perdido. As crianças cresceram e anseiam por desapego ao velho, ultrapassado e antigo. Enquanto a mãe sofre por não poder pagar.
A casa, por si só, já conta suas histórias... Conversa e entende o que os jovens, mas velhos moradores, falam. Talvez, a utopia de uma nova casa tenha afetado aquela jovem família, naquela velha casa com o teto de madeira e o rato atrás da geladeira.

Que esse acontecimento seja efêmero.

Um comentário:

  1. Talvez a desejada mudança, caia nas mãos das crianças que hoje são maduras...
    O que você está plantando hoje, concerteza no futuro ira colher bons frutos!
    Pode parecer cliché mais eu acrédito em você.

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