terça-feira, 10 de novembro de 2009

O primeiro beijo.

"É uma mistura de desejos. Os olhares que se encontram segundos antes de mudar uma vida inteira... As mãos suadas e o coração disparado. O mundo parece ficar em sintonia com o momento..."


É isso que você vai ler, ouvir e acreditar. Quer dizer... Isso tudo antes de você beijar, pois não há experiência mais traumatizante que o primeiro beijo. Você sonha com o momento como se esperasse um presente do Papai Noel, quando descobre que ele não existe acaba ficando estressado, desiludido e querendo matar a pessoa que te contou sobre ele.
Pois é, beijar é muito bom! O problema é quando você não faz a menor ideia de como se beija. É um caos: você, por volta dos 13 anos começa a ter paixonites, então, quer beijar! Aí é que começa o seu martírio.
Quando se é B.V. - sigla utilizada para denominar quem nunca beijou, ou seja, "boca virgem" - tudo é preocupação; onde colocar as mãos, onde beijar, a saliva, o que ele (a) vai achar e o principal... A língua! O problema que assombra a vida dos B.V's.
Na época que eu era B.V., gostava de um menino da escola e ele pediu para "ficar" comigo. Achei maravilhoso e logo fui perguntar para a minha mãe se eu podia beijar alguém, acreditam? Nem eu! Mas logo depois disso, comecei a encanar com coisas do tipo: "será que eu sei beijar?" ou "nossa, ele vai odiar me beijar!".
Como eu nasci na época da internet, recorri à ela. Eu entrava no Google e digitava "como beijar na boca", "beijo", "tipos de beijo", entre outras coisas estranhas. Me lembro do espanto que eu tinha quando lia coisas como "não salive muito na boca do parceiro", era tudo muito novo, muito diferente da vida que eu levava... E eu morria de nojo em pensar na troca de salivas. Mesmo assim, continuei pesquisando.
Eu lia, pesquisava, entrava em vários sites... E lia coisas que, na época, eram bizarras. Por exemplo, eu fica me perguntando como é que alguém consegue deixar a lingua mole ou dura, como alguém achava graça em morder pescoço, etc. Depois de tanta pesquisa, chegou o grande dia!
Não, não foi bom! Aliás, não foi beijo de língua e eu fiquei com tanta vergonha que fiquei segurando a bolsa. Depois do beijo ele me olhou com uma cara de "nunca mais vou te beijar" e saiu. Não liguei, estava mais frustrada do que nunca. Não por ele ir embora, mas porquê foi péssimo. Eu esperava um beijo cinematográfico, cheio de paixão e não um selinho mal dado. Ainda fiquei com nojo da pouca saliva que trocamos.
Depois disso tudo, voltei para casa e fui direto para o banheiro escovar os dentes. Resultado? Me estressei, traumatizei e fiquei um ano sem beijar ninguém. Os meninos pediam para "ficar" e eu recusava.
Não adianta, não há primeiro beijo bom! Para qualquer pessoa que você perguntar, independente do sexo, será a mesma resposta. O estranho é entender: se o primeiro beijo foi ruim, em vez de pararmos, por que continuamos?
Alguém arrisca um palpite?

2 comentários:

  1. Desde o tempo das cavernas, todos nós tivemos a tendência de imitar nossos semelhantes. É por isso que aprendemos a falar e deve ser por isso que somos alienados e por ora admiramos estereótipos sociais. O beijo não deve fugir disso.

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  2. Porque como disse Clarice uma vez "Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de SENTIR, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca" E precisamos tanto entrar em contato com as outras pessoas, entender o nosso semelhante em uma tentativa desesperada de nos entender.

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